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Como Ler Livros - Mortimer J. Adler e Charles Van Doren

Como ler livros

 

Como sabemos, no Brasil a maior parte das "pessoas lê mal", pois em sua maioria a população não chega sequer a completar o Ensino Fundamental.  Por outro lado, infelizmente, a posse de diploma não é garantia de capacidade de leitura eficaz.

Mas problemas nessa área não são exclusividade do Brasil, tampouco de países pobres. Já na década de 70, Mortimer Adler - um dos autores do livro citado - já denunciava que a capacidade de leitura dos norte-americanos que não passava do nível do sexto ano letivo, ou seja, mais ou menos o do nosso primário ou 5.ª série. Desta forma primordialmente este livro busca:

 

  • Demonstrar porque as habilidades de leitura con­ven­cionais não bastam para a compreensão de livros difíceis e complexos;
  • Ajudar o leito a adquirir competências de leitura mais sofisti­cadas;
  • Como aplicar essas habilidades para analisar qualquer comunicação, indo de simples informes publicitários até entender grandes livros.


A preocupação fundamental dos autores, que deu motivação inicial para a obra, é que as escolas não ensinam as competências de leitura de alto nível necessárias para se desfrutar tanto de livros informativos como instrucionais e nós precisamos dessas habilidades para lidar com livros que vão além da nossa compreensão. Esses mesmos livros, segundo os autores, garantem os insights mais profundos e duradouros. Adler e Van Doren delineiam uma abordagem sistemática para nos ajudar a construir e sustentar novas habilidades de leitura que irão nos ajudar a se conectar às obras mais difíceis, complexas ou de níveis múltiplos. Para os autores, um livro "consiste da linguagem escrita por alguém com o objetivo de comunicar algo para você". Como requisitos principais para a realização da obra os autores perceberam:

  • Ler bem é melhor do que ler muito;
  • Geralmente, as escolas não ensinam competências de leitura além do fundamental. A maioria das pessoas lê ao nível do 9º ano, mas você pode alcançar níveis mais altos;
  • Para ler ativamente, devemos desenvolver técnicas de anotação, partindo-se dos pensamentos e perguntas sobre o conteúdo de um determinado livro;
  • Para conferir se um livro vale a pena ser lido, "averigue-o" por meio do "folheamento sistemático" ou da "pré-leitura", para identificar a sua estrutura e design;
  • Leia os grandes livros ana­liti­ca­mente, sempre buscando en­tendi­mento, não apenas informação;
  • Para ler um livro ana­liti­ca­mente, faça quatro perguntas: O livro trata de quê? O que está sendo dito? O que ele diz é verdade? O conteúdo é relevante?
  • Para verificar o que um livro realmente diz, busque as suas ideias, afirmações e argumentos. Quais "termos e proposições" ele utiliza?
  • Você consegue realmente entender o foco de um livro quando é capaz de parafraseá-lo nas suas próprias palavras;
  • No nível mais alto de leitura, você já é capaz de sintetizar os argumentos de vários livros;
  • Para tal, aborde cada livro dentro do processo "sintópico" ou comparativo: encontre as partes boas, defina os termos, desenvolva proposições, avalie as questões e analise os resultados.

"O livro é um tesouro de pistas e métodos de trabalho intelectual", um manual abrangente de técnicas de leitura" que associa "a profundidade da análise com a cobertura da extensão dos gêneros", afirma o professor José Monir Nassar, no texto introdutório a esta nova tradução, a terceira feita no país. As anteriores, esgotadas assim que publicadas, datam de 1990 e 2000, e mantiveram o título como no original: Como ler um livro.

É importante observar, no entanto, que, além da sutil alteração do título para Como ler livros, a leitura precisa ser atenciosa, porque aqui ou ali se pode encontrar uma escorregadela, como na p. 32, em que se lê "Os dois passos de leitura analítica aqui delineados podem ser encarados como uma espécie de antessala para a leitura analítica", quando, de acordo com o original, o correto seria, "Os dois estágios da leitura inspecional podem ser considerados...", como se pode ler na p. 46, da primeira edição revista e atualizada publicada pela Editora Guanabara, em 1990, e traduzida por Aulyde Soares Rodrigues.

Adler não começou nada do ovo, como diz o prefácio de José Monír Nasser, dado que a leitura é o instrumento central de qualquer estudo. A arte de ler, confundida com a arte de estudar, tem sido tema tradicional da vida intelectual cristã, centrada no estudo da Bíblia. São muitas as contribuições ao tema da leitura, mas só a partir de Mortimer Adler o assunto foi tratado sistematicamente e de maneira abrangente, válida para os principais gêneros. Adler idealizou uma matriz com quatro níveis de leitura na vertical (elementar, averiguativo ou inspecional, analítico e sintópico ou comparativa), de profundidade crescente, e com seis gêneros de leitura na horizontal (poesia, teatro, prosa, história, ciência e filosofia).

Com base no equacionamento dos diversos aspectos da arte da leitura na forma desta matriz que correlaciona profundidade com gêneros literários, Adler  dividiu o livro em seções independentes, primeiro explicando os quatro níveis de leitura, depois tratando de cada gênero individualmente, com recomendações judiciosas.

O livro é dividido em 4  partes:

  • AS DIMENSÕES DA LEITURA
  • O TERCEIRO NÍVEL DA LEITURA A LEITURA ANALÍTICA
  • COMO LER DIVERSOS ASSUNTOS
  • OS FINS ÚLTIMOS DA LEITURA

 

Na primeira parte do livro os autores dão detalhes sobre os 4 níveis de leitura:

Leitura Elementar - corresponde ao nível ensinado na escola primária. Leitura elementar ou rudimentar, sugere que a pessoa se alfabetizou, aprendeu os rudimentos de arte de ler e recebeu o treinamento básico para a leitura. A preocupação de quem lê nesse nível é com a linguagem em si, a decodificação da escrita, que com qualquer outra coisa. A pergunta que norteia esse nível é: "O que a frase diz?". Neste nível a leitura é somente básica e conotativa.

"Precisamos nos tornar uma nação de leitores ver­dadeira­mente competentes."

"O bom leitor lê ativamente, com concentração."

"O en­tendi­mento é apenas alcançado quando, além de saber o que um autor diz, você sabe o que ele quer dizer com isso e por que ele diz tal coisa."

 "Se (...) o leitor de um livro prático aceita o final proposto e concorda que os meios re­comen­da­dos são adequados e eficazes, ele deve, em seguida, agir da forma proposta."

 

Leitura Averiguativa ou Inspecional (também chamada de "pré-leitura", "investigação inicial" ou "garimpagem") - este nível é voltado para a melhor avaliação possível de um texto ou livro num período curto de tempo. Essa leitura pressupõe determinado período no qual temos de ler certos trechos para  extrair o máximo do livro; é a arte de folheá-lo sistematicamente, examinando sua superfície. Por exemplo, quando estamos de passagem por alguma livraria, vemos um livro que parece interessante e precisamos saber se ele é bom antes de decidirmos se vamos comprá-lo. Existem alguns bons macetes para isso, os quais são tratados em mais detalhes nesta parte. Por ora, basta saber que a pergunta básica deste nível é: "Este livro é sobre o quê?". Neste nível também devemos responder outras perguntas: "Qual é a estrutura do livro" ;  "Vale realmente a pena ler este livro?".

"Em geral, é desejável folhear mesmo aquele livro que você pretenda ler com pro­fun­di­dade, para ter uma ideia da sua forma e estrutura."

"Os bons livros estão acima do seu nível de con­hec­i­men­tos; se assim não o fossem, eles não seriam bons para você."

"As frases importantes são aquelas que exigem um esforço de interpretação, porque, à primeira vista, elas não são per­feita­mente inteligíveis."

"Leia um livro com olhos de raios-X; faz parte essencial da absorção de qualquer livro compreender a sua estrutura."

 

Leitura Analítica - é a leitura completa, a melhor que se pode fazer, ativa por excelência. No dizer de Adler, "se a leitura averiguativa ou inspecional é a melhor que se pode fazer num determinado período de tempo, então a leitura analítica é a melhor leitura possível quando não existe limite de tempo". Sendo aquele em que a atividade é mais complexa e sistemática, quando comparada aos anteriores; depende das dificuldades do livro a ser lido e pode exigir muito ou pouco do leitor; trata-se da leitura completa, a melhor possível num período de tempo ilimitado. Ela suscita muitas perguntas, segundo o tipo de livro que se tem em mãos (elencadas na Parte 2 do livro). É nível de leitura voltado basicamente para a compreensão, de modo que, se seu objetivo for apenas informação ou entretenimento, ele pode não ser necessário.

"Não há uma velocidade certa de leitura; o ideal é desenvolver a capacidade de ler em várias velocidades e saber quando cada velocidade é mais apropriada."

"Faça perguntas enquanto lê - perguntas que você mesmo deve tentar responder no decorrer da leitura."

 

Leitura Sintópica ou Comparativa - implica a leitura de muitos livros sobre certo tema, pondo-os em relação uns com os outros e com o tema. Estudantes de Ciências Humanas são obrigados a se familiarizar com ela. É o nível mais difícil de alcançar, e não há pleno acordo sobre suas regras, indo além da comparação, pois habilita o leitor a fazer uma análise que talvez não esteja em nenhum dos livros. É o nível mais ativo, trabalhoso e, portanto, o mais compensador de leitura. Porém, é também o mais recompensador de todos os níveis.

"O que é verdade para uma conversa normal é ainda mais verdadeiro na situação muito especial em que um livro conversa com um leitor e o leitor responde de forma apropriada."

"O leitor deve fazer mais do que emitir um parecer de concordância ou discordância. Ele deve dar motivos para tal."

Assim que tiver compilado uma seleção de livros que pareçam relevantes para responder a sua pergunta, submeta-os ao processo sintópico, ou comparativo, de cinco etapas:

  • Encontre as partes boas - O objetivo da leitura sintópica não é entender o livro inteiro. O objetivo é usar o livro para resolver o problema já definido ou responder a sua pergunta. Utilize a leitura de averiguação para identificar os trechos mais pertinentes à sua investigação.
  • Defina os termos - Os autores se­le­ciona­dos na sua bib­li­ografia podem utilizar palavras diferentes para conceitos semelhantes. Sintetize uma "ter­mi­nolo­gia neutra" que não seja específica de algum autor, mas que possa incorporar conceitos de qualquer um deles.
  • Desenvolva proposições - Faça o mesmo quando você identificar uma lista de proposições. Elabore proposições neutras que não venham de um único autor, mas para a qual cada autor possa contribuir com respostas.
  • Avalie as questões - Você pode delinear um problema sempre que identificar uma pergunta que diferentes autores respondam de maneiras diferentes. Mapeie e compare as dissonâncias.
  • Analise os resultados - Organize as questões e estipule como elas se relacionam entre si.

 

Veja também:

Aprenda a ler e ouvir para aprimoramento das suas comunicações -

Curso de Oratória: A arte de falar bem e fazer apresentações em público‐>http://bit.ly/1Ed6ZNl

Curso Técnicas de comunicação escrita para executivos‐>http://bit.ly/1EPNNA3

Curso Teatral para Não Atores‐>http://bit.ly/1MKdSsy

Curso Tecnicas de Apresentação: Falar para Liderar‐>http://bit.ly/1Hu5B4Y

Laboratório de Escrita Criativa‐>http://bit.ly/1hRs99R